sábado, 27 de junho de 2026

Solar do Barão

Trago a lume, para conhecimento público, a história do Solar do Barão, com o propósito de chamar a atenção das autoridades e dos agentes políticos para a urgente necessidade de intervenção do Poder Público, mediante aquisição ou desapropriação do secular imóvel para fins culturais, evitando-se a perda de parte significativa da memória do povo tapajônico.

O Solar do Barão de Santarém é um dos mais importantes e emblemáticos patrimônios arquitetônicos da cidade. Construído entre aproximadamente 1840 e 1860, pertenceu ao coronel Miguel Antônio Pinto Guimarães, agraciado com o título de Barão de Santarém pela Princesa Isabel, em 1871.

Localizado na área histórica da cidade, em frente à Praça do Pescador, o casarão apresenta marcante influência da arquitetura colonial portuguesa. Possui três pavimentos, cerca de quatorze cômodos, ampla escadaria interna e dez janelas frontais em arco, das quais se descortina uma vista privilegiada do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas.

Mais do que uma residência senhorial, o Solar simboliza o período de prosperidade econômica vivenciado por Santarém no século XIX, especialmente em decorrência do intenso comércio regional. Seu pavimento térreo foi concebido para atividades mercantis, enquanto os andares superiores serviam de residência à família do Barão.

Considerado um dos mais antigos casarões da Amazônia e o segundo prédio histórico mais antigo de Santarém, o imóvel constitui valiosa referência da memória urbana, social e cultural da cidade. Pesquisadores destacam sua relevância como testemunho da formação histórica, econômica e arquitetônica do Baixo Amazonas.

Infelizmente, o Solar encontra-se há anos sem a restauração e a conservação que sua importância exige, permanecendo fechado à visitação pública. Diversos estudiosos e defensores do patrimônio histórico sustentam a necessidade de sua preservação e recuperação, para que possa, no futuro, abrigar atividades culturais, educacionais e museológicas.

Mais do que preservar um edifício, salvar o Solar do Barão significa proteger a identidade, a memória e o legado histórico de Santarém para as presentes e futuras gerações.

A provocação está feita. Que o silêncio e a inércia não sejam cúmplices da perda de um dos mais valiosos testemunhos da história santarena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário