Já perceberam?
Quanto pior, quanto mais trágica é a notícia, maior o interesse que ela desperta.
Há nisso algo de inquietante. Tragédias vendem. Desgraças viralizam. O sofrimento, quando exposto em manchetes ruidosas, parece exercer um fascínio quase irresistível. As boas notícias, ao contrário, passam discretas, como se pedissem licença para existir e, não raro, são ignoradas.
Por que será?
Que impulso é esse que nos inclina ao que choca, ao que fere, ao que degrada?
Não por acaso, o sensacionalismo ocupa capas, domina narrativas e alimenta o próprio mercado jornalístico. A dor transformou-se em produto; a desgraça, em mercadoria. E o público, consciente ou não, consome.
Falo com a experiência de quem escreve há anos em jornais, revistas e espaços virtuais. Comprovei, não sem desalento, essa realidade incômoda: quanto mais negativa a mensagem, maior a sua repercussão.
Talvez isso diga menos sobre a imprensa e mais sobre nós, consumidores da informação.
