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Vamos polir a Pérola do Tapajós

3 outubro 2026 · 14:33

A natureza foi generosa com Santarém. Deu-lhe rios majestosos, praias encantadoras e a beleza singular do encontro das águas. Deu-lhe também uma paisagem que se entrelaça com a história, a cultura e a memória afetiva de seu povo. Mas a dádiva natural, por si só, não assegura uma cidade bem cuidada, organizada e aprazível. Essa parte depende de nós e, sobretudo, de quem tem a responsabilidade de governar.

Um prefeito de vanguarda deveria escolher para conduzir a Secretaria de Infraestrutura alguém cuja principal credencial fosse a competência. Um profissional sábio, tecnicamente preparado, sensível às necessidades da população e com visão de mundo. Alguém capaz de trabalhar o presente com a lente do futuro, compreendendo que cada intervenção urbana deixa consequências que ultrapassam o mandato de quem a realiza.

A escolha não deveria ser determinada pela coloração partidária, pelas conveniências eleitorais ou pela necessidade de acomodar aliados. A infraestrutura de uma cidade exige conhecimento, planejamento e continuidade. Santarém dispõe de profissionais qualificados. É preciso identificá-los, ouvi-los e dar-lhes condições de trabalho.

Também é necessário compreender que infraestrutura vai muito além de asfaltar ruas. Envolve drenagem, saneamento, mobilidade, acessibilidade, arborização, iluminação e conservação dos espaços públicos. Uma obra precisa dialogar com as demais e integrar um projeto inteligente de cidade. Sem essa visão, corre-se o risco de executar intervenções isoladas, refazer serviços e consumir recursos sem resolver a origem dos problemas.

Uma cidade aprazível se revela na experiência cotidiana de seus habitantes: na calçada por onde se pode caminhar com segurança; na sombra que ameniza o calor; na praça que convida ao encontro; na rua que permite o deslocamento de uma pessoa com deficiência; no espaço público em que crianças e idosos encontram acolhimento. A beleza urbana tem uma dimensão prática: torna a vida melhor.

Há boas ideias espalhadas pelas cidades do mundo. Conhecê-las e adaptá-las é sinal de inteligência administrativa. Podemos aprender com soluções de mobilidade, recuperação de áreas degradadas, valorização das margens dos rios e criação de espaços de convivência. Mas toda inspiração precisa passar pelo crivo de nossa realidade: o clima amazônico, o regime das águas, as condições do solo, os recursos disponíveis e os hábitos da população.

Santarém pode aprender com outras cidades sem perder os próprios traços. Sua relação com os rios, sua cultura tapajônica, seus lugares de memória e suas formas de convivência devem orientar as transformações. Modernizar exige discernimento para reconhecer o que precisa mudar e o que merece permanecer.

Nesse esforço, a escuta da população é indispensável. Quem mora num bairro conhece os pontos de alagamento, os caminhos difíceis, os espaços abandonados e as necessidades que nem sempre aparecem nos projetos de gabinete. O conhecimento técnico ganha precisão quando se encontra com a experiência de quem vive a cidade.

Uma administração com visão de futuro estabelece prioridades, apresenta projetos, explica escolhas e cuida da manutenção. Planeja para além do calendário eleitoral. Entende que a qualidade de uma obra se mede por sua utilidade, sua durabilidade e pelo benefício que entrega à população ao longo dos anos.

Santarém merece esse cuidado. Seu potencial paisagístico precisa encontrar correspondência no tratamento de suas ruas, praças, bairros e espaços de convivência. A cidade deve ser acolhedora para quem a visita e, acima de tudo, digna e agradável para quem nela vive.

A Pérola do Tapajós precisa de polimento para luzir à altura de sua beleza e de sua história. A natureza fez a sua parte. Cabe às autoridades dar o toque que lhes compete: planejamento, competência e zelo pelo patrimônio que pertence a todos.

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