O sugestivo “milharal de Vorcaro”, como rotulado, não impressiona apenas pelo volume dos milhões que circularam clandestinamente.
O que chama atenção é a naturalidade com que o dinheiro perdeu o vínculo com o trabalho, a produção ou a própria realidade econômica do país.
Tudo surge em escala desmedida, quase exponencial. Uma prodigalidade obscena, de feição extravagante, sustentada por um capital sem lastro lícito, muito menos moral.
Não se trata apenas de enriquecer, mas de exibir poder, comprar consciências, seduzir autoridades, construir uma rede de blindagem em que a ética se transforma em mercadoria e o silêncio institucional passa a ter preço.
Como na antiga Torre de Babel, ergueu-se um monumento de soberba sustentado pela ilusão da impunidade. Mas toda construção fundada na corrupção carrega, em si mesma, os germes da própria ruína. O problema é que, antes do desabamento, quase sempre é a sociedade quem paga a conta.
Há muita sujeira sob o tapete que ainda precisa vir à tona, mesmo depois de varrida pelo aguardado Acordo de Delação Premiada.
Vou esperar, sentado, que a verdade venha à tona, descortinando os nomes dos envolvidos na sórdida maracutaia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário