segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Prédios Abandonados: Problemas e Oportunidades

Quem passa pelas proximidades do antigo prédio da Telemar, em Santarém, dificilmente deixa de perceber o estado de abandono do imóvel.

É lamentável ver uma construção de grande porte, localizada em área urbana valorizada e ligada à própria história das telecomunicações em nossa cidade, transformar-se pouco a pouco em espaço degradado.

Não se trata apenas de uma questão estética.

Imóveis abandonados, sem limpeza, vigilância e conservação adequadas, acabam favorecendo toda sorte de problemas: descarte irregular de lixo, insegurança e utilização indevida do espaço.

A primeira providência deveria ser objetiva: identificar quem é atualmente o proprietário do imóvel.

A antiga vinculação à Telepará, posteriormente Telemar, não permite concluir, por si só, quem detém hoje a sua titularidade. Isso pode ser esclarecido mediante consulta à matrícula atualizada no Registro de Imóveis.

Identificado o responsável, caberia exigir as providências necessárias para limpeza, fechamento, conservação e segurança do local. A propriedade privada não confere ao titular o direito de simplesmente abandonar um imóvel, especialmente quando sua degradação produz consequências para a coletividade.

Mas penso que deveríamos ir além.

Aquele prédio representa também uma oportunidade para Santarém.

Em vez de permanecer fechado, deteriorando-se ano após ano, poderia ser objeto de aquisição, cessão, parceria ou outro instrumento jurídico que possibilitasse sua recuperação e destinação a alguma atividade de relevante interesse público.

Pela localização, dimensão e significado histórico, imagino ali um grande Centro da Memória, Cultura e Inovação do Tapajós.

O imóvel poderia abrigar espaços destinados à preservação da história de Santarém e do Oeste do Pará, biblioteca, arquivo, museu, salas de exposições, auditório, atividades acadêmicas e culturais, além de ambientes voltados à ciência, à tecnologia e à inovação.

Uma parte do próprio prédio poderia preservar a memória das telecomunicações na região, resgatando a história da antiga Telepará e de tantos profissionais que ali trabalharam durante décadas, como o lendário Paxá.

Também seria possível disponibilizar espaços para instituições culturais, históricas, literárias e científicas da cidade, criando um verdadeiro centro de produção e preservação do conhecimento regional.

E o problema não parece ser isolado.

Outro exemplo é o prédio localizado na Avenida Marechal Rondon, atrás do Incra, onde durante muitos anos funcionou o Clube de Soldados do 8º BEC. Também sem utilização e em estado de abandono, o imóvel merece ter sua situação jurídica e patrimonial esclarecida e, sendo possível, receber destinação compatível com o interesse coletivo.

Certamente outros prédios e áreas urbanas de Santarém se encontram em situação semelhante, como o Solar do Barão e a cantada e decantada Rocha Negra.

Talvez esteja na hora de o poder público realizar um levantamento desses imóveis, identificar seus proprietários, verificar as condições em que se encontram e avaliar quais deles poderiam ser recuperados ou reaproveitados.

Não precisamos aceitar como normal que grandes imóveis urbanos, alguns deles carregados de história, permaneçam abandonados enquanto a cidade necessita de espaços para cultura, memória, educação, serviços públicos, lazer e convivência.

Santarém precisa aprender a olhar para esses imóveis não apenas como problemas herdados do passado, mas como possibilidades para o futuro.

O abandono não pode ser o destino final de espaços que ainda podem servir à coletividade.

Onde hoje se veem sujeira, deterioração e desperdício, amanhã podem existir centros culturais, espaços de memória, equipamentos públicos, áreas de lazer e ambientes destinados à educação e à inovação.

Mais do que lamentar o abandono, é preciso enxergar a oportunidade.

Patrimônio sem utilização é desperdício. Recuperado e bem destinado, pode voltar a cumprir uma função social e ajudar a construir uma cidade melhor.

Depende de iniciativa, diálogo, planejamento e, sobretudo, vontade de fazer.

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