Ruy Barbosa, um dos maiores juristas brasileiros, advertia, com amarga lucidez:
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
A advertência, que em seu tempo poderia soar como exagero retórico, transformou-se, entre nós, em amarga constatação.
A corrupção no Brasil, que muitos já consideram endêmica, infiltra-se nas engrenagens do Estado e corrói as instituições. Compromete o funcionamento regular dos Poderes da República e contamina a vida pública em diversos níveis e graus, como se a probidade tivesse sido progressivamente expulsa da cena política. Alguns simplesmente perderam a vergonha.
O mais inquietante, porém, é a postura dos que se julgam intocáveis, poderosos da República que, protegidos por cargos, influência ou circunstâncias, comportam-se como se estivessem acima da lei, da crítica e do juízo moral da sociedade.
Eles deveriam corar. No entanto, somos nós, cidadãos comuns, que nos sentimos perplexos diante de atitudes tão repugnantes que fariam ruborizar qualquer pessoa de honorabilidade mediana, se é que ainda se pode falar nesses termos.
Talvez o sinal mais eloquente da decadência moral de uma República seja este: quando os desonestos não coram, os honestos se constrangem.
A cada dia que passa, infeliz constatação, cresce a decepção com nossas autoridades constituídas.
Triste conclusão.
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