Com a aproximação de mais um período eleitoral, repete-se um ritual já conhecido do eleitor. Promessas antigas reaparecem como se fossem novas, embaladas por discursos renovados e slogans de ocasião. O tom muda; a realidade, não. A cidade segue refém de um modelo político que privilegia o anúncio em detrimento da entrega.
Obras anunciadas há anos permanecem inacabadas ou deterioradas. O Barbalhão continua sem conclusão, frustrando expectativas do esporte regional. A ponte do Mapiri, ainda de madeira, envelhece sob o peso do abandono. Na Orla, tanto nas imediações do Mascotinho quanto no piso estilizado, os reparos prometidos nunca chegam ao fim. A decantada Rocha Negra permanece restrita ao campo das intenções. O Hospital Regional, por sua vez, arrasta-se entre anúncios, promessas e inaugurações simbólicas.
O padrão é recorrente: promete-se em excesso, executa-se a prestações. Obras são iniciadas sem planejamento consistente, interrompidas sem explicações claras e retomadas apenas quando o calendário eleitoral exige visibilidade. A política do marketing sobrepõe-se à política pública.
O resultado é previsível. Crescem o descrédito institucional e o cansaço social. A população, acostumada ao eterno recomeço, passa a conviver com a precariedade enquanto assiste à repetição do mesmo enredo, eleição após eleição.
Mais do que novas promessas, a cidade precisa de compromisso com a conclusão do que já foi iniciado. Governar não é anunciar. É executar, planejar e prestar contas. O resto é retórica — e a retórica, como se vê, já não convence.
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