segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O padre educador e poeta que amava Santarém


Padre Manuel Rebouças e Albuquerque nasceu aos dezesseis dias de julho de 1907, no estado do Amazonas, no Seringal Monte Carmelo do Rio Acurauna, no então município de São Felipe, hoje Eirunepé. Filho de cearenses: Tomás Rodrigues e Maria Rebouças e Albuquerque.

Aos dois anos de idade veio com seus pais de mudança para Santarém do Pará: o menino Manuel fez os primeiros estudos iniciados na Fazenda da Cerquinha, tendo sua mãe como primeira professora. Aos nove anos já na cidade de Santarém, continuou os estudos com a professora Rosinha Passos. Matriculou-se no grupo escolar, transferindo-se depois para o colégio São Francisco, de onde aos quatorze anos, ingressou no Seminário de Tefé no Amazonas.

Em 1925, foi mandado pelos Padres da Congregação do Espírito Santo para Portugal, onde terminou e ser ordenou Sacerdote em quinze de setembro de 1935. Como missionário trabalhou durante onze anos na prelazia de Tefé. Regressou a Portugal, onde foi professor, em Braga, durante três anos. Retornado a França, depois a Portugal, e em 1950 voltou ao Brasil, fixando residência em Santarém do Pará. Neste período, criou a escola Maria Goreti, no bairro da Prainha, onde funciona a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Madre Imaculada.

No Brasil e em Portugal, publicou várias obras de História, de Prosa, de poesia e de Cânticos Religiosos, recebidas em louvores pela crítica dos dois países.

Entre seus livros tiveram grande repercussão: "Maria Minha Poeta", "Estrela para a tua Fronte", "Brasil do meu Amor", "Cristais Sonoros" e "Meu Sabiá".

No Estado do Pará, Padre Manuel Albuquerque era sócio correspondente da Academia de Letras no Maranhão. Foi lançado no final de 1960 em Belém do Pará o livro intitulado: "Sorrisos de Minha Mãe", mais uns semente de reconhecida fecundidade poética, o Padre Manuel Albuquerque plantou, trabalhou de condensação religiosa e sentimentalista, cristalizado na salvadora e apostolar doçura do Evangelho; conhecemos o Padre Manuel Albuquerque, por isso, mesmo não calamos os seus méritos de poeta. Antes da sua morte compôs o soneto que deveria ser lido logo após seu último suspiro:

"Prova Infalível"

Quando eu soltar meu último suspiro;
quando o meu corpo se tornar gelado,
e o meu olhar se apresentar vidrado,
e quiserdes saber se inda respiro,

eis o melhor processo que eu sugiro:
— Não coloqueis o espelho decantado
em frente ao meu nariz, mesmo encostado,
porque não falha a prova que eu prefiro:


— Fazei assim: — Por cima do meu peito.
do lado esquerdo, colocai a mão.
e procedei, seguros, deste jeito:

— Gritai “MARIA!” ao pé do meu ouvido,
e se não palpitar meu coração,
então é certo que eu terei morrido!

Assim terminou sua vida a 07 de janeiro de 1977, no Rio de Janeiro, deixando muitos trabalhos realizados em benefício da pobreza.

Fonte: Escola Padre Manuel Albuquerque

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