A virada vinha da urna
11 outubro 2026 · 23:48
Há lembranças da política que o tempo não apaga. Uma delas é a trajetória de Ronaldo Campos nas apurações eleitorais, quando os resultados chegavam aos poucos e eram acompanhados pelos boletins do Tribunal Regional Eleitoral, divulgados pelas emissoras de rádio.
Nas etapas iniciais da apuração, seu nome figurava entre os últimos colocados na lista dos prováveis eleitos. Quem olhasse apenas aqueles resultados parciais poderia imaginar que a eleição estava perdida. Mas faltava computar os votos de Santarém.
Quando eles chegavam, o quadro mudava. Ronaldo Campos disparava, avançava na classificação e passava a integrar o rol dos eleitos. Assim aconteceu três vezes: duas para deputado estadual e uma para deputado federal, antes de se tornar prefeito. A virada nas urnas vinha de Santarém.
A repetição desse resultado expressava a força tupiniquim de um vínculo político. Era o voto de uma população que conhecia o candidato e lhe confiava a responsabilidade de representá-la para além dos limites do município. Santarém fazia sua voz chegar à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
Ronaldo Campos foi um político destemido. Sua trajetória passou pela Câmara Municipal de Santarém, pela Assembleia Legislativa do Pará, pela Câmara dos Deputados e pela Prefeitura de Santarém. Como prefeito, foi mentor e executor do bairro da Nova República, iniciativa que marcou sua atuação na cidade.
Recordar aquelas apurações é também revisitar uma época em que o rádio tinha papel central na vida política. Os boletins alimentavam expectativas, suscitavam dúvidas e mantinham os eleitores atentos à chegada de novos resultados. Para quem acompanhava Ronaldo Campos, os votos de Santarém eram aguardados com especial interesse: podiam mudar, como mudaram, o destino da eleição.
Com seu filho JK, embora em outra época, a força eleitoral de Santarém voltou a se fazer sentir: dos quase setenta mil votos conquistados, mais de cinquenta mil vieram de nossa terra. Em gerações distintas, pai e filho encontraram no eleitorado santareno a base decisiva de suas conquistas nas urnas.
Escrevo como quem guarda uma lembrança, um fragmento da memória política de nossa terra. As três viradas de Ronaldo Campos e a expressiva votação de JK merecem registro porque revelam a importância de Santarém na trajetória de ambos e na escolha dos representantes do Pará.
Nos primeiros boletins, a expectativa; com a chegada dos votos de Santarém, a confirmação da vitória. Décadas depois, a votação de JK reafirmaria essa força. Era o voto de nossa gente escrevendo mais uma página da história.
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