As favelas que circundam a Zona Sul do Rio de Janeiro, situadas por trás das belas praias e dos majestosos edifícios que projetam a imagem da Cidade Maravilhosa para o mundo, compõem um contraste eloquente. Enquanto servem de pano de fundo para fotografias de rara beleza, expõem, ao mesmo tempo, a dura realidade enfrentada por milhares de pessoas que vivem à sombra de uma das paisagens mais admiradas do planeta.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
domingo, 14 de junho de 2026
Estado paralelo
Quando o Estado perde território para facções criminosas, milícias ou tráfico, não falha apenas na segurança, falha também na soberania, na cidadania e na liberdade do voto.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Ubirajara Bentes, o advogado colecionador
Movido por dedicação, paciência e profundo amor à cultura de sua terra, reuniu, ao longo de décadas, a maior coleção particular de arte tapajônica de que se tem notícia, composta por dezenas de milhares de peças arqueológicas, muitas delas raríssimas e de inestimável valor histórico e científico.
Sua residência, na Avenida Adriano Pimentel, ao lado do Uirapuru Hotel, transformou-se em verdadeiro centro de visitação de pesquisadores, arqueólogos, jornalistas, museólogos e autoridades brasileiras e estrangeiras.
Eu ainda cheguei a ver, quando garoto, aquela impressionante coleção misturada aos livros de Direito em sua biblioteca. Ali, na casa do saudoso advogado, pai de meu cunhado Ronaldo Campos, encontrava-se um acervo com mais de 30 mil peças inéditas, várias vezes superior ao existente no Museu Emílio Goeldi, em Belém.
Infelizmente, a falta de sensibilidade dos poderes públicos e a ausência de uma política séria de preservação do patrimônio cultural impediram que esse acervo permanecesse integralmente em Santarém. Grande parte da coleção foi transferida para São Paulo (USP), privando a região de um patrimônio que poderia ter dado origem a um dos mais importantes museus arqueológicos da Amazônia.
No Museu João Fona, restaram apenas os “cacos”, como fundo histórico de uma grandeza que Santarém não soube proteger.
A reportagem de Manuel Dutra, publicada no jornal A Província do Pará, em junho de 1977, retrata, com riqueza de detalhes, a trajetória do colecionador, as dificuldades enfrentadas para preservar o acervo e o desencanto de quem viu o sonho de criar um grande museu em Santarém sucumbir diante da indiferença oficial.
Mais do que uma reportagem, trata-se de verdadeiro documento histórico, que merece ser preservado e conhecido pelas novas gerações, para que erros semelhantes jamais se repitam e para que a memória do povo Tapajó continue viva entre nós.
A leitura dessa matéria, passados quase cinquenta anos, causa inevitável reflexão: Santarém perdeu uma coleção arqueológica de valor incalculável, mas não pode perder também a memória daqueles que lutaram para preservá-la.
Minha revista virtual registra parte dessa história — uma história que pertence não apenas a uma família, mas à memória cultural de Santarém e de toda a Amazônia.
Quem sabe um dia esse extraordinário acervo possa retornar ao seu legítimo berço cultural? Seria uma forma de reparar uma dívida histórica com Santarém e de devolver ao povo tapajônico um fragmento precioso de sua própria identidade.
sábado, 6 de junho de 2026
Maicá: o retrato do abandono
Fui visitar o Mercado do Peixe (Porto dos Milagres), no entorno do Maicá, às margens do Rio Tapajós, e saí de lá entristecido com o que vi e senti. As vias de acesso encontram-se em estado deplorável. A sucessão de buracos, lama e trechos praticamente intransitáveis provoca indignação e transmite uma inequívoca sensação de abandono. Confesso que fiquei com pena do meu carro e, sobretudo, da população que ali reside.
Se, no centro da cidade, a buraqueira já é motivo de constantes reclamações, imagine-se a situação das áreas mais afastadas. No entorno do Maicá, o descaso parece ainda mais evidente. Trata-se de uma região de grande importância para a economia local, especialmente para pescadores, comerciantes e consumidores que diariamente dependem daquele espaço. Além disso, o Maicá constitui um dos mais belos cartões-postais naturais de Santarém, dotado de extraordinário potencial turístico e ambiental.
Convido as autoridades a percorrerem a Orla do Maicá e suas vias de acesso, não apenas em períodos eleitorais, mas para conhecerem de perto a realidade enfrentada pela população. Eu, que não moro para aquelas bandas, fiquei revoltado com o que presenciei. Imaginem, então, a insatisfação dos moradores, obrigados a conviver diariamente com esse cenário de abandono e carência de infraestrutura.
Fica a pergunta: será que aqueles que insistem em pedir votos desconhecem essa realidade? Ou preferem ignorá-la? Porque é difícil acreditar que uma situação tão visível e tão antiga continue sem solução.
O Maicá não pede favores. Pede respeito. Respeito aos seus moradores, aos trabalhadores que dali retiram seu sustento, aos visitantes que o procuram e à própria cidade de Santarém, que não pode continuar virando as costas para uma de suas mais belas e importantes regiões.
Uma vergonha, @migo leitor, que também é eleitor.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Sou assim…
Compartilho, em certa medida, da concepção do Movimento Antropofágico, idealizado pelo modernista Oswald de Andrade na década de 1920. Nutro-me de leituras, ideias e experiências para compor meus próprios textos, que, uma vez concebidos, ganham identidade e vida próprias. O que é lido e “digerido” funde-se ao que foi assimilado ao longo da existência, transformando-se em novas reflexões e novos olhares sobre o mundo.
Minha formação intelectual resulta desse permanente exercício de absorção, filtragem e recriação. Sou, em grande parte, a soma das influências que escolhi acolher, reinterpretadas à luz de minhas vivências, convicções e inquietações.
Com um celular às mãos, tudo acontece. As ideias surgem espontaneamente, percorrem os caminhos da memória e da imaginação, e logo encontram abrigo nas palavras. Eu apenas as recolho e registro, antes que o tempo as leve.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Internet: campo digital minado
Embora não se pretenda alarmar, mas apenas alertar, é inegável que a incidência de fraudes no ambiente virtual alcançou proporções preocupantes e de difícil controle. Todos os usuários da internet, independentemente da idade, profissão ou condição social, encontram-se potencialmente expostos a golpes e práticas criminosas. Uma simples distração, um clique impensado ou um momento de excessiva confiança pode ser suficiente para causar prejuízos materiais e transtornos de considerável magnitude.
Os meliantes cibernéticos atuam de forma cada vez mais ousada e sofisticada. Longe da imagem amadora que outrora caracterizava muitos golpes virtuais, esses agentes empregam técnicas avançadas de manipulação psicológica, explorando vulnerabilidades humanas com elevado grau de planejamento e eficiência. Nem mesmo os usuários mais cautelosos estão totalmente imunes às armadilhas cuidadosamente elaboradas para induzi-los ao erro.
Mensagens fraudulentas, perfis clonados, centrais de atendimento falsas, páginas que reproduzem com fidelidade a identidade visual de empresas conhecidas, promoções irresistíveis e links maliciosos integram um repertório que se renova continuamente. A criatividade dos fraudadores parece acompanhar, passo a passo, a evolução tecnológica.
A inteligência artificial, uma das mais relevantes inovações da atualidade, também passou a integrar esse cenário. Ferramentas capazes de reproduzir vozes, manipular imagens, criar vídeos falsos e elaborar mensagens altamente persuasivas vêm sendo utilizadas para conferir maior credibilidade aos golpes. O que antes era facilmente identificável tornou-se cada vez mais convincente, dificultando a distinção entre o verdadeiro e o falso.
Em muitos casos, os fraudadores atuam em grupos organizados, com estruturas que lembram empresas formalmente constituídas. Há divisão de tarefas, especialização de funções e utilização de recursos tecnológicos sofisticados. Alguns se dedicam à obtenção de dados pessoais; outros à elaboração de conteúdos fraudulentos; há aqueles encarregados do contato com as vítimas e, ainda, os responsáveis pela movimentação dos valores obtidos ilicitamente. Trata-se de uma atividade criminosa estruturada e profissionalizada.
Os danos decorrentes dessas práticas vão muito além das perdas financeiras. Muitas vítimas enfrentam profundo abalo emocional, marcado por sentimentos de vergonha, frustração, insegurança e impotência. Não são raros os casos de comprometimento da privacidade, utilização indevida de dados pessoais, exposição da imagem e da reputação, além da prática de novos delitos a partir das informações obtidas pelos criminosos.
Nesse contexto, a prudência deixou de ser mera virtude para transformar-se em verdadeira necessidade cotidiana. Confirmar informações por canais oficiais, desconfiar de solicitações urgentes envolvendo dinheiro, evitar o compartilhamento excessivo de dados pessoais, utilizar senhas seguras e manter sistemas atualizados são medidas simples, mas fundamentais para reduzir riscos.
É inegável que a internet revolucionou a forma como as pessoas se comunicam, trabalham, estudam e acessam informações. Aproximou distâncias, ampliou oportunidades e democratizou o conhecimento. Entretanto, como toda grande transformação, trouxe consigo novos desafios. Ao lado das inúmeras facilidades, surgiram ameaças que exigem atenção permanente dos usuários.
Em síntese, a conscientização, a prevenção e a adoção de boas práticas de segurança digital constituem instrumentos indispensáveis para reduzir a exposição aos riscos presentes no ambiente virtual.
Se o leitor considerar repetidas as advertências aqui formuladas, peço-lhe compreensão. O tema preocupa e justifica a insistência. A criminalidade cibernética avança na mesma velocidade da tecnologia, reinventando-se continuamente e surpreendendo até mesmo os usuários mais experientes.
Por isso, navegar na internet exige discernimento, cautela e permanente vigilância. Afinal, nem todo perigo se anuncia de forma explícita; muitos chegam silenciosamente, ocultos atrás de uma mensagem aparentemente inofensiva, de uma oferta tentadora ou de um simples clique. Em um ambiente cada vez mais sofisticado e permeado por armadilhas digitais, a prevenção continua sendo o mecanismo de defesa mais eficaz.
